Alexandre Costa Pedrosa explora que o ritmo circadiano funciona como um regulador biológico central, responsável por organizar ciclos de sono, vigília, atenção e energia ao longo do dia. Quando esse sistema está alinhado à luz natural e a rotinas previsíveis, o organismo tende a responder com maior estabilidade física e mental. No entanto, a vida contemporânea, marcada por iluminação artificial constante e horários irregulares, frequentemente desestrutura esse equilíbrio.
Nesse cenário, compreender como o corpo responde à alternância entre claro e escuro permite ajustes simples, porém consistentes, capazes de melhorar disposição e clareza mental. Pequenas mudanças de hábito, quando sustentadas ao longo do tempo, auxiliam o organismo a retomar padrões mais próximos do seu funcionamento natural.
Como o ritmo circadiano organiza o funcionamento do corpo
O ritmo circadiano é um ciclo interno de aproximadamente 24 horas que coordena funções hormonais, metabólicas e cognitivas. Alexandre Costa Pedrosa frisa que esse relógio biológico é influenciado principalmente pela exposição à luz, especialmente nas primeiras horas do dia. A luz sinaliza ao cérebro que é hora de ativar processos ligados ao estado de alerta e à produtividade.
Quando esse sinal se perde ou se torna confuso, o corpo passa a operar de forma desregulada. Horários irregulares de sono, alimentação tardia e excesso de estímulos noturnos dificultam a transição entre estados de atividade e repouso. Assim, o organismo permanece em um modo intermediário, sem alcançar energia plena durante o dia nem descanso profundo à noite.
Luz natural, melatonina e níveis de energia
A relação entre luz natural e produção de melatonina é um dos pontos centrais do ritmo circadiano. Alexandre Costa Pedrosa esclarece que a melatonina, hormônio associado ao sono, começa a ser produzida quando a luminosidade diminui. Exposição excessiva à luz artificial no período noturno pode atrasar ou reduzir essa liberação, comprometendo a qualidade do descanso.
Por outro lado, a exposição à luz natural pela manhã ajuda a ajustar o relógio interno e a regular o ciclo hormonal. Esse contato sinaliza ao organismo que o dia começou, favorecendo maior disposição e melhor desempenho cognitivo. Com o tempo, esse alinhamento contribui para níveis de energia mais estáveis e menor sensação de cansaço ao longo do dia.

Impactos da desregulação circadiana no bem-estar
A desorganização do ritmo circadiano não afeta apenas o sono. Alexandre Costa Pedrosa aponta que alterações persistentes nesse ciclo podem influenciar humor, capacidade de concentração e tolerância ao estresse. Pessoas com rotina irregular tendem a relatar irritabilidade, dificuldade de foco e sensação constante de fadiga, mesmo após horas de repouso.
Além disso, a desregulação pode interferir no apetite e na resposta metabólica. Horários imprevisíveis de alimentação e descanso confundem sinais internos de fome e saciedade, favorecendo escolhas menos conscientes. Esse conjunto de fatores reforça a importância de observar o ritmo biológico como parte integrante do cuidado com a saúde.
Ajustes práticos para favorecer o ritmo circadiano
Promover alinhamento circadiano envolve escolhas acessíveis. Alexandre Costa Pedrosa sugere priorizar a exposição à luz natural nas primeiras horas do dia, reduzir estímulos luminosos intensos à noite e manter horários de sono mais consistentes, inclusive aos fins de semana. Essas medidas auxiliam o organismo a reconhecer padrões e a responder de forma mais previsível.
Outro ponto relevante envolve a organização da rotina diária. Atividades físicas, refeições e momentos de descanso tendem a produzir melhores efeitos quando seguem horários relativamente estáveis. Ao respeitar esses ciclos, cria-se um ambiente interno mais favorável à recuperação e à manutenção da energia. Com ajustes graduais, o ritmo circadiano deixa de ser um fator invisível e passa a atuar como aliado do bem-estar ao longo da vida.
Autor: Medvedev Modrichi



