Politica

Pessimistas com o Brasil, confiantes no próprio CNPJ: como os empreendedores brasileiros estão encarando 2026

Existe uma contradição produtiva no comportamento dos empresários brasileiros neste ano. Pergunte a um dono de PME o que ele acha da economia do país e a resposta provavelmente vai ser sombria. Pergunte o que ele espera para o próprio negócio e o tom muda completamente. Essa tensão entre ceticismo com o cenário macro e otimismo com a própria operação está no centro de como o empreendedorismo nacional está se movendo em 2026.

Cerca de 50% dos empreendedores acreditam que o ambiente econômico do país será pior em 2026. Ao mesmo tempo, 70% dizem esperar um ano melhor para o próprio negócio. Mesmo entre os que veem piora da economia, a maioria mantém confiança na própria operação. Exame

O motor que não parou

Independentemente do humor com a conjuntura, a abertura de novos negócios bate recordes. Nos primeiros quatro meses de 2026, foram abertos mais de 2 milhões de MEIs e pequenas empresas, um crescimento de quase 14% em relação ao mesmo período de 2025. O setor de serviços disparou, com mais de 1,3 milhão de novos CNPJs nos primeiros meses do ano, alta de 15% sobre 2025. Atividades como gestão de redes sociais, tráfego pago, consultoria em marketing digital e backoffice para empresas estão entre as que mais crescem. Vanquish

Dados do Sebrae de 2025 mostram que as micro e pequenas empresas foram responsáveis por mais de 80% do saldo de contratações do país no ano passado, com a maioria dos microempreendedores atuando no setor de serviços. Agência Brasil

Esse dado coloca as PMEs como protagonistas do mercado de trabalho brasileiro, algo que o debate político raramente reconhece com a devida ênfase.

Faturamento cresceu, mas pressão também

A maioria das empresas conseguiu avançar em receita no último ciclo. 57,8% das empresas registraram crescimento de receita. Desse grupo, 29,4% cresceram até 20% e 28,4% acima desse patamar. Ao mesmo tempo, aumentou o número de empresas que viram a receita cair, chegando a 13,5%. O dado aponta um mercado mais competitivo, com menos espaço para estagnação. Exame

A polarização é a tônica: quem está se adaptando cresce, quem fica parado recua. O meio-termo está sumindo.

A inteligência artificial entrou pela porta dos fundos

O tema mais comentado no mercado empresarial hoje é a IA, e não por modismo. A inteligência artificial aparece como a principal tendência para 2026, considerada crucial por 59% dos empresários e vista como ferramenta central para ganho de eficiência e produtividade. Apesar disso, o uso ainda é limitado — apenas 22% afirmam utilizar IA de forma estruturada. Outros 53% dizem reconhecer a importância, mas não sabem como implementar. Além disso, 38% das empresas admitem operar com processos manuais, dependentes de planilhas e pessoas específicas. Exame

Esse gap entre reconhecimento e execução é a maior lacuna do empreendedorismo brasileiro no momento. A boa notícia é que ele também representa uma oportunidade: empresas que conseguirem estruturar o uso da IA antes da concorrência ganham uma vantagem difícil de reverter.

O empreendedorismo feminino atinge o maior patamar já registrado no Brasil, impulsionado por flexibilidade e busca por autonomia financeira, com a renda das empreendedoras crescendo cerca de 30% nos últimos dez anos. Outro dado que reforça como o perfil de quem empreende no país está mudando, com a diversidade de origens e formatos se tornando parte da estrutura, não apenas da retórica. Vanquish

O sentimento para 2026 é conservador, mas o histórico recente prova que as PMEs brasileiras aprenderam a crescer independentemente do governo. Essa frase resume bem o espírito de uma classe empresarial que aprendeu, na prática, que resiliência não é frase de efeito. Exame

Fontes: Exame | Agência Brasil | Vanquish Blog | Sebrae RS

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo