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IA generativa pode ameaçar o sigilo profissional?

A inteligência artificial generativa já começa a integrar tarefas da advocacia, como pesquisa, organização de documentos e elaboração de textos. O Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, acompanha esse movimento diante dos cuidados que o uso dessas ferramentas exige na prática jurídica. O ganho de velocidade, porém, cria uma preocupação que não pode ser tratada apenas como questão tecnológica: o que acontece com informações sigilosas quando dados de um cliente são inseridos em uma ferramenta de IA?

 

Saiba mais a seguir!

Por que o uso de IA exige cuidado com informações sigilosas?

Uma ferramenta de IA pode receber documentos, contratos, relatos de casos e outros materiais para auxiliar o profissional em determinada tarefa. Na advocacia, entretanto, esses conteúdos podem conter informações estratégicas ou dados que não poderiam ser expostos sem os cuidados adequados. O compartilhamento indevido pode comprometer a confidencialidade de informações relevantes e criar consequências para o escritório e para o cliente, especialmente quando não existem critérios claros para definir quais conteúdos podem ser processados pela tecnologia.

 

O risco não está necessariamente na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. Antes de inserir qualquer informação em uma plataforma, é necessário compreender como os dados são tratados, armazenados e protegidos. Sem essa avaliação, uma ferramenta criada para aumentar a produtividade pode introduzir uma vulnerabilidade na rotina do escritório. Também é importante verificar quais mecanismos de controle estão disponíveis e quem pode ter acesso aos dados, evitando que informações jurídicas sejam utilizadas além da finalidade para a qual foram originalmente coletadas.

 

O Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, destaca que a adoção de ferramentas tecnológicas precisa permanecer vinculada à responsabilidade profissional. O uso de recursos de inteligência artificial não afasta os deveres inerentes à advocacia, especialmente quando estão envolvidos dados confidenciais de clientes. Por isso, a utilização dessas soluções exige atenção às regras de sigilo, proteção de dados e segurança da informação, além de procedimentos internos que orientem a equipe sobre os limites e cuidados necessários em cada aplicação.

Quais informações não deveriam ser inseridas em qualquer ferramenta?

Processos judiciais, documentos pessoais, estratégias de defesa, informações financeiras e contratos podem apresentar diferentes níveis de sensibilidade. Por isso, não é adequado tratar todos os conteúdos jurídicos da mesma maneira ao utilizar sistemas de inteligência artificial. A classificação das informações permite identificar quais materiais exigem maior proteção e quais recursos podem ser utilizados em cada situação, reduzindo a exposição de conteúdos que envolvam dados pessoais ou informações estratégicas dos clientes.

Gilmar Stelo
Gilmar Stelo

Uma política interna pode estabelecer critérios para determinar quais informações podem ser utilizadas em ferramentas externas e quais devem permanecer em ambientes controlados. Também pode definir procedimentos de anonimização, revisão e autorização antes do uso de determinados documentos. Conforme informa o Doutor Gilmar Stelo, essas regras ajudam a criar uma rotina mais segura, orientando os profissionais sobre os cuidados necessários antes de inserir qualquer conteúdo em uma plataforma e estabelecendo responsabilidades para situações que exigem avaliação adicional.

O advogado pode confiar na ferramenta sem supervisão?

A IA generativa não deve ser tratada como uma extensão automática do trabalho jurídico. Mesmo quando a ferramenta apresenta uma resposta aparentemente precisa, o profissional precisa verificar o conteúdo antes de utilizá-lo. Isso vale para informações jurídicas, documentos produzidos e análises realizadas com auxílio tecnológico. A revisão permite identificar erros, informações desatualizadas e interpretações inadequadas, além de garantir que o material esteja de acordo com as particularidades do caso e com as necessidades do cliente.

 

A OAB já estabeleceu recomendações para o uso de inteligência artificial generativa na prática jurídica, incluindo orientações voltadas à confidencialidade das informações dos clientes e ao uso ético e responsável dessas ferramentas. Essas diretrizes reforçam que a adoção da tecnologia precisa estar acompanhada de critérios profissionais, especialmente quando o uso de sistemas automatizados envolve dados protegidos pelo sigilo ou interfere na elaboração de documentos jurídicos.

 

O Doutor Gilmar Stelo, referência em atuação estratégica no Direito, ressalta que o avanço da tecnologia também exige atenção à responsabilidade profissional. A inteligência artificial pode agilizar determinadas atividades, mas a análise humana permanece necessária para verificar a precisão das informações e a adequação do conteúdo ao caso concreto. O uso dessas ferramentas, portanto, deve estar associado a processos de revisão que permitam aproveitar os recursos tecnológicos sem comprometer o conhecimento técnico e a responsabilidade envolvidos na atuação jurídica.

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