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Relação EUA e Brasil deve ser prioridade estratégica para o próximo governo, apontam empresários

A relação EUA-Brasil voltou ao centro do debate econômico diante de um cenário internacional mais competitivo e marcado por disputas tecnológicas, comerciais e geopolíticas. Empresários ligados ao comércio bilateral defendem que o próximo governo trate essa parceria como prioridade estratégica. Este artigo analisa por que a aproximação entre os dois países pode impulsionar investimentos, inovação e crescimento sustentável, além de discutir os desafios práticos para transformar intenção diplomática em resultados concretos.

A relação entre Brasil e Estados Unidos não é recente, mas sua relevância ganhou novos contornos nos últimos anos. Os Estados Unidos permanecem entre os principais parceiros comerciais do Brasil e figuram como uma das maiores fontes de investimento estrangeiro direto no país. Ao mesmo tempo, empresas brasileiras encontram no mercado norte-americano um ambiente de alto consumo, estabilidade regulatória e acesso a cadeias globais de valor. Portanto, tratar essa conexão como eixo estruturante da política externa e econômica não se trata de alinhamento ideológico, mas de pragmatismo.

Quando empresários defendem que a relação EUA-Brasil seja prioridade do próximo governo, a mensagem central é clara: competitividade exige integração. Em um ambiente global no qual inovação, tecnologia e sustentabilidade definem a capacidade de crescimento, parcerias estratégicas tornam-se instrumentos de desenvolvimento. O Brasil, com seu potencial energético, agrícola e ambiental, possui ativos relevantes. Já os Estados Unidos concentram capital, tecnologia e centros avançados de pesquisa. A combinação desses fatores pode gerar ganhos mútuos.

Além disso, o fortalecimento da relação bilateral pode ampliar o fluxo de investimentos em setores considerados estratégicos, como infraestrutura, transição energética, indústria de semicondutores, agronegócio de baixo carbono e economia digital. O interesse norte-americano por cadeias produtivas mais resilientes abre espaço para o Brasil se posicionar como parceiro confiável. Contudo, para que isso ocorra, é necessário previsibilidade regulatória, segurança jurídica e um ambiente de negócios mais eficiente.

Outro ponto central envolve acordos comerciais e facilitação de negócios. Embora não exista atualmente um acordo de livre comércio entre os dois países, há espaço para avanços graduais em áreas específicas, como reconhecimento de padrões técnicos, simplificação aduaneira e cooperação regulatória. Medidas dessa natureza reduzem custos, aumentam a competitividade das exportações brasileiras e fortalecem a integração produtiva. Nesse contexto, a diplomacia econômica assume papel decisivo.

Por outro lado, a relação EUA-Brasil também enfrenta desafios. Divergências ambientais, políticas industriais e questões tarifárias frequentemente surgem na agenda bilateral. O debate sobre sustentabilidade, por exemplo, exige posicionamento consistente do Brasil em relação ao combate ao desmatamento e à agenda climática. O mercado internacional valoriza critérios ESG, e investidores observam atentamente o compromisso ambiental dos parceiros comerciais. Logo, alinhar discurso e prática torna-se requisito para ampliar a confiança externa.

No campo tecnológico, a cooperação pode representar um salto qualitativo. A economia global está cada vez mais orientada por inovação, inteligência artificial, digitalização e pesquisa aplicada. O Brasil, ao aprofundar parcerias com universidades, centros de pesquisa e empresas norte-americanas, pode acelerar a modernização de sua base produtiva. Entretanto, essa aproximação demanda políticas internas consistentes de incentivo à ciência, formação de mão de obra qualificada e proteção da propriedade intelectual.

Sob a ótica macroeconômica, priorizar a relação EUA-Brasil também pode contribuir para maior estabilidade. Diversificar parceiros e fortalecer laços com economias consolidadas reduz vulnerabilidades externas. Ao mesmo tempo, amplia o acesso a financiamento internacional e fortalece a imagem do país junto a investidores institucionais. Esse movimento, contudo, precisa ser acompanhado por reformas estruturais que elevem a produtividade doméstica.

É importante destacar que priorizar os Estados Unidos não implica negligenciar outras parcerias globais. Pelo contrário, uma política externa equilibrada permite ao Brasil ampliar sua inserção internacional de forma estratégica. A relação com os EUA pode funcionar como alavanca para atrair investimentos e ampliar acordos em múltiplas frentes, desde que conduzida com autonomia e foco em interesses nacionais.

Na prática, o próximo governo terá o desafio de transformar expectativas empresariais em ações concretas. Isso envolve fortalecer canais institucionais de diálogo, ampliar missões comerciais, estimular acordos setoriais e promover um ambiente interno favorável ao investimento. Sem essas medidas, a prioridade declarada corre o risco de permanecer apenas no discurso.

O debate sobre a relação EUA-Brasil revela uma percepção crescente de que política externa e política econômica caminham juntas. Em um cenário internacional marcado por transformações rápidas, o país que consegue construir alianças estratégicas e oferecer estabilidade institucional tende a se destacar. O Brasil reúne condições para ocupar posição relevante nessa dinâmica, desde que alinhe estratégia, diplomacia e reformas internas.

Diante desse contexto, tratar a relação EUA-Brasil como prioridade estratégica pode representar mais do que uma escolha diplomática. Pode ser um passo decisivo para fortalecer a competitividade, atrair investimentos e consolidar o país como protagonista em uma economia global cada vez mais integrada.

Autor: Diego Velázquez

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