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Queda da Selic reabre espaço de crédito para pequenos negócios, mas juros ainda pesam no bolso do empresário

O que a queda gradual da Selic representa para quem precisa de crédito

Depois de um longo período com a taxa básica de juros no maior patamar em quase duas décadas, o empresário brasileiro começa a sentir um alívio, ainda que tímido, no custo do crédito. A Selic ficou parada em 15% ao ano entre junho de 2025 e março deste ano, o nível mais alto desde 2006, e só voltou a recuar a partir daí. Na reunião de 17 de junho, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano, a terceira queda consecutiva no ciclo de flexibilização monetária. Não há reunião do Copom em julho, o que significa que a taxa vigente hoje permanece válida para qualquer contrato pós-fixado até o próximo encontro, marcado para os dias 4 e 5 de agosto.

Essa dúvida sobre quando o crédito vai realmente ficar mais barato é uma das que mais atormenta pequenos e médios empresários neste momento. A Selic funciona como o piso para praticamente todo o crédito do país: quanto mais alta ela está, mais caro fica o dinheiro para os bancos e, por consequência, mais caro sai o empréstimo para qualquer negócio. Ainda que a trajetória de queda já tenha começado, especialistas do setor contábil apontam que o efeito prático dessa redução sobre as linhas de crédito para PMEs costuma levar alguns meses para se refletir de forma consistente no bolso do empresário, o que exige paciência e planejamento financeiro nesse intervalo.

As mudanças no Pronampe e o que elas significam na prática

Uma das principais novidades para quem busca capital de giro em 2026 está nas mudanças promovidas no Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, o Pronampe. O limite de crédito por CNPJ dobrou, saindo de R$ 250 mil para R$ 500 mil, enquanto o prazo total de pagamento passou para até 96 meses, o equivalente a oito anos. A carência, período em que o empresário não precisa pagar parcelas, também foi ampliada para até 24 meses. A taxa, no entanto, segue vinculada à Selic mais 6% ao ano, a mesma fórmula praticada desde 2021, o que faz da queda gradual dos juros básicos um fator ainda mais relevante para quem pretende recorrer a essa linha.

Apesar dessas melhorias, o acesso ao crédito continua sendo um dos principais obstáculos enfrentados por micro, pequenas e médias empresas no país. Levantamentos do Sebrae mostram que exigências como garantias elevadas, histórico de crédito robusto e comprovação de capacidade de pagamento seguem afastando muitos empreendedores das linhas disponíveis, o que aumenta a percepção de risco por parte das instituições financeiras e, consequentemente, encarece ou até impede a liberação de recursos. A recomendação de especialistas é que as empresas se estruturem melhor em gestão e contabilidade justamente para reduzir essa percepção de risco e ganhar mais credibilidade junto aos bancos.

O papel do Sebrae e do BNDES no fortalecimento dos pequenos negócios

O Sebrae tem ampliado parcerias para facilitar esse acesso ao crédito, unindo forças com plataformas privadas e com instituições públicas para servir de ponte entre pequenos negócios e o sistema financeiro. Uma dessas iniciativas envolve programas como o ProCred 360, voltado especificamente para microempreendedores individuais e microempresas, além de linhas de microcrédito orientado para famílias inscritas no CadÚnico. A entidade também tem atuado junto ao Governo Federal em respostas a choques externos, como o impacto do tarifaço promovido pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros de exportação, que segundo estimativas afeta uma parcela significativa de pequenos negócios exportadores.

O BNDES, por sua vez, continua sendo um dos pilares de financiamento de longo prazo para empresas de todos os portes, com projeção de desembolsar uma fatia relevante do Produto Interno Bruto em iniciativas de crédito ao longo deste ano. Esse volume de recursos tem potencial de impactar diretamente o acesso das PMEs a linhas de financiamento, especialmente em setores como tecnologia, inovação e sustentabilidade, que vêm recebendo atenção prioritária nas políticas públicas de fomento ao empreendedorismo brasileiro.

Como o empresário pode se preparar para esse novo cenário de crédito

Diante desse conjunto de mudanças, o empresário que pretende buscar crédito neste segundo semestre precisa entender que o cenário está em transição, e não plenamente favorável ainda. A queda da Selic é uma boa notícia no médio prazo, mas o custo do dinheiro continua elevado quando comparado a períodos de juros mais baixos, o que reforça a importância de comparar linhas de crédito, negociar condições e recorrer a programas com taxas subsidiadas sempre que possível, em vez de recorrer imediatamente ao crédito bancário tradicional.

Organizar a contabilidade, manter o CNPJ em situação regular e acompanhar de perto as decisões do Copom são atitudes que podem fazer diferença na hora de conseguir condições mais vantajosas. Para os pequenos negócios que estruturarem bem esse planejamento financeiro, a expectativa é que o segundo semestre traga, ainda que de forma gradual, um ambiente de crédito mais respirável do que o observado nos últimos dois anos, abrindo espaço para investimentos que vinham sendo postergados justamente pelo custo elevado do capital.

Fontes consultadas: 

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