Cadeias globais de produção mudaram de forma estrutural depois da pandemia. Danilo Regis Fernandes Pinto comenta que o que antes parecia apenas um tema de logística virou questão estratégica para empresas e governos. Isso aconteceu porque a crise expôs um risco que estava escondido: a dependência excessiva de poucos fornecedores e de rotas longas. Assim, quando portos pararam e fábricas fecharam, faltou de tudo. E, ao mesmo tempo, os preços dispararam.
O resultado foi um choque de realidade. Empresas perceberam que eficiência não pode significar fragilidade. Além disso, governos passaram a olhar para a produção como tema de segurança econômica. Por isso, a pandemia deixou mudanças que continuam em 2026.
Cadeias globais de produção e o fim do “estoque mínimo” como regra
Cadeias globais de produção foram organizadas por décadas com foco em redução de custos. O modelo “just in time” dominou a indústria. Ele funciona com estoques baixos e reposição rápida. Porém, ele depende de previsibilidade. E a pandemia destruiu essa previsibilidade.
De acordo com Danilo Regis Fernando Pinto, muitas empresas passaram a aceitar um custo maior para ganhar estabilidade. Assim, o “estoque mínimo” perdeu força como padrão absoluto. Em seu lugar, entrou uma lógica de segurança operacional.
Isso não significa voltar ao excesso de estoque. No entanto, significa manter margens de proteção. Além disso, empresas passaram a priorizar itens críticos. Portanto, componentes essenciais ficaram com reposição mais planejada.
Esse ajuste também mudou a negociação com fornecedores. Contratos passaram a incluir garantias de entrega. E, em muitos casos, exigiram alternativas de fornecimento. Assim, o planejamento ficou mais robusto.
A diversificação de fornecedores virou prioridade
Cadeias globais de produção também mudaram porque a concentração ficou evidente. Muitas indústrias dependiam de um único país ou região para componentes específicos. Quando essa região parou, a cadeia inteira travou. Assim, a escassez virou regra temporária.
Conforme Danilo Regis Fernandes Pinto, a diversificação deixou de ser um diferencial e virou necessidade. Empresas começaram a buscar fornecedores em diferentes países. Além disso, passaram a homologar mais opções. Isso reduz risco, mas exige gestão mais complexa.
Ao mesmo tempo, essa mudança impactou o custo final. Com mais etapas e novos contratos, o preço subiu em muitos setores. Portanto, parte da inflação global dos últimos anos tem relação com essa reorganização.
Ainda assim, o mercado aceitou esse custo como parte do novo cenário. Isso ocorre porque o prejuízo de parar uma produção é maior do que pagar um pouco mais por estabilidade.
Cadeias globais de produção e a tendência de regionalização
Cadeias globais de produção passaram a se aproximar dos mercados consumidores. Esse movimento é conhecido como nearshoring e friendshoring. Na prática, empresas buscam produzir mais perto de onde vendem. Ou então, em países considerados mais confiáveis.
De acordo com Danilo Regis Fernando Pinto, a regionalização não elimina a globalização. Porém, ela muda o desenho do comércio. Assim, algumas cadeias ficaram mais curtas. E a dependência de rotas longas diminuiu.

Isso gera oportunidades para países com boa logística e estabilidade institucional. Além disso, regiões com acesso a energia competitiva ganham vantagem. Portanto, a disputa por fábricas e investimentos ficou mais intensa.
No caso do Brasil, existe potencial em setores específicos. Porém, desafios internos ainda pesam. Infraestrutura, burocracia e custo de capital limitam velocidade. Mesmo assim, o tema entrou na agenda de longo prazo.
Tecnologia, rastreabilidade e gestão de risco mais sofisticada
Cadeias globais de produção ficaram mais digitais depois da pandemia. Isso ocorreu porque empresas precisaram enxergar riscos com antecedência. Antes, muitas cadeias eram “invisíveis” além do fornecedor direto. Assim, problemas apareciam tarde demais.
Conforme Danilo Regis Fernandes Pinto, a rastreabilidade virou parte central da gestão. Empresas passaram a mapear fornecedores de segundo e terceiro nível. Além disso, investiram em sistemas para acompanhar estoque, transporte e prazos em tempo real.
Esse avanço tecnológico melhorou eficiência. Porém, também aumentou exigências. Hoje, quem fornece para grandes indústrias precisa comprovar capacidade e transparência. Portanto, pequenos fornecedores tiveram de se profissionalizar.
Além disso, o controle de risco ganhou espaço. Empresas passaram a simular cenários e criar planos de contingência. Assim, a cadeia fica mais preparada para eventos inesperados. E o custo de interrupção diminui.
Impactos no consumidor: preço, prazo e disponibilidade
Cadeias globais de produção mudaram o consumo de forma prática. Durante a pandemia, prazos de entrega aumentaram. E alguns produtos simplesmente sumiram. Depois, o mercado normalizou, mas com outro padrão de preço.
De acordo com Danilo Regis Fernando Pinto, o consumidor passou a pagar mais por estabilidade logística. Isso aparece em eletrônicos, veículos e bens duráveis. Além disso, serviços também sentiram. Afinal, peças e equipamentos ficaram mais caros.
Ao mesmo tempo, empresas passaram a repensar portfólio. Produtos com cadeia complexa ficaram mais difíceis de manter. Assim, marcas reduziram variedade em alguns segmentos. Portanto, o consumidor ganhou previsibilidade em alguns itens. Mas perdeu diversidade em outros.
A pandemia mudou a lógica das cadeias globais
Cadeias globais de produção não voltaram ao modelo anterior. A pandemia deixou uma mudança permanente: eficiência sem resiliência é risco. Por isso, empresas passaram a diversificar fornecedores, aumentar estoques críticos e regionalizar parte da produção.
Conforme Danilo Regis Fernandes Pinto, essa transformação redefine custos, prazos e estratégias de longo prazo. Assim, o mundo segue conectado, mas com mais cautela. E o mercado passa a valorizar não apenas o menor preço. Mas a capacidade de entregar, mesmo em cenários difíceis.
Autor: Medvedev Modrichi



